Cap de Créus: a melhor surpresa

Quando decidi ir a Cadaqués, eu planejei ver a inspiração de Dalí, as casinhas brancas e as águas calmas, andar pelas ruelas e buscar inspiração naquela que já deixou a arte invadir dentro de tantos que admiro. E outros que venho a admirar. Até o momento, eu tinha expectativas, sim. Mas fotos, relatos e história me faziam ter uma ideia de como seria.

Como prefiro sempre fazer, ainda mais em momentos que busco mais privacidade e inspiração, aluguei um charmoso, com vistas da cidade e do mar. Baratérrimo, claro! O detalhe de tudo é que era final de janeiro, pleno inverno e eu sabia que teriam alguns gatos pingados por lá e muitas do que eu queria ver, fechado. Não importava. E não importou.

Ganhei um clima ameno, um festival de lusco-fusco no céu, conheci pessoas interessantes, comi bem e “descobri” o imperdível: O Parque Natural de Cap de Creus e vistas alucinantes! Eu senti que o mundo tinha parado no tempo só pra que eu pudesse admirar aquelas imagens de azul-mediterrâneo-sem-fim, montanhas e pequenas calas (prainhas) escondidas.

Era uma ventania que nunca tinha visto/sentido. O vento, literalmente, quase me levava – eu cheguei a dar saltinhos pra frear. O Duncan teve que me segurar para que eu pudesse bater fotos e comentou: “poderia ser perigoso se essa ventania estivesse mais forte”.

No topo da maior montanha, ao lado do farol, existe o restaurante de Cap de Creus, um lugar que não estava esperando muita coisa, pela época do ano e por ser segunda-feira. Engano meu! Havia um grande grupo de franceses (Cap de Creus está no extremo norte da Costa Brava, na divisa com a França), alguns casais e outras pessoas que pareciam ser frequentadores do local.

Descobri que o chef-proprietário inglês Chris Little está há 20 anos por trás de tudo. O menu tem todos os tipos de comidas típicas da região, pescado fresco (o garçom me trouxe o pescado cru para que eu decidisse se queria ou não) e outras especialidades indianas. Uau! Optei pelo peixe e o Duncan pelo Curry.

A apresentação dos pratos nos fez sentir em casa. De dentro do restaurante não conseguíamos nem ouvir a ventania, só tínhamos ouvido para o jazz ao fundo, junto com a imaginação de como será este lugar no verão, com o terraço aberto e música ao vivo. Existe uma vasta seleção de vinhos para acompanhar as delícias gastronômicas, assim como whiskies, que são a preferência do Chris.

Resultado: passamos a tarde ali, até o anoitecer. Maravilhados com as vistas, o dia, a comida, a música, o garçom que nos serviu e até uma gata que estava lá hehe! Imperdível. Recomendadíssimo!


Cap de Creus também oferece acomodação e está aberto todos os dias do ano. Para mais informações: +34 972 199 005