A Rota de Tapas da Barceloneta

Pessoalmente, eu tento evitar (cof cof), mas não tem uma coisinha que me deixe mais feliz do que petisco e biritinha com amigos. Assim, num terracinho, num dia de sol e batendo papo furado - ou não, podemos discutir Sapiens e a breve história da humanidade, já que escrevo este texto enquanto estou ainda anestesiada com a leitura do mês de setembro/outubro – ou talvez do meu ano de 2017? Fiquei monotemática.

 Começando a rota de tapas: la cova fumada

Começando a rota de tapas: la cova fumada

Então, por que não aproveitar essa levada de amor e inspiração pra não indicar uns lugares de tapas e aperitivos na Barceloneta? Hamebus rota de tapas.

Chegando no ponto principal pra unir todo essa atração de amor aos petiscos e prazer pelo drink, não existe nada mais autentico nesta cidade do que a Barceloneta.

Ruelas pequenas, vizinhas de bob no cabelo sentadas na porta de casa, passa por ali o senhorzinho que leva seu cachorrinho para lhe acompanhar nas lotéricas, reunião no bar da esquina pra jogar conversa fora, roupas secando no varal das sacadinhas de prédios iguais. O bairro da Barceloneta é uma relíquia que precisa ser preservado, já que com a gentrificação e o turismo de massa, muitos bairros (em qualquer cidade do mundo) perdem um pouco de suas características. Percorrer os bares de tapas num dia ensolarado é uma típica experiência gastro-antropológica, como disse a Dri Setti.

Reina Cristina -  e a ilha oásis entre Born e Barceloneta

Saindo da minha casa, na Calle Reina Cristina, temos que escolher se paramos no Perikete ou no Bodega. Os dois, situados na mesma rua, são duas novidades que me surpreenderam com o sabor/serviço/preço.

Até a hora de começar este texto, eu não sabia qual sugerir, mas confesso que o Perikete mudou a minha vida – não me leve a mal, ele pode não mudar a sua, mas eu me apaixonei perdidamente por morcilla – aquele produto que meus sogros irlandeses sempre quiseram que eu provasse, no café da manhã, haha, mas se eu contar pra vocês o que é ninguém experimenta. Para saber melhor sobre um dos meus novos amores, leia o post completo aqui

Can Paixano – La Xampaneria (cash only)
C/ Reina Cristina, 7
Aberto de 9 às 22:30, exceto domingos e feriados

Uma instituição. O bar de cava, tapas, embutidos e sanduba é lendário. Filas todos os dias na porta, de segunda a sábado (nem tente vir nos domingos e feriados). Todo mundo aglomerado (o lugar é pequeno) pra provar o cava barato e bom assim como os sanduíches famosos

Uma das ideias do dono era exatamente essa: fazer que o cava, diferentemente do champagne, permanecesse barato e popular, servindo como uma tradição daqui. Revivem as antigas “tascas” da Barceloneta. Além de barzinho lotado, lá no final, há uma loja onde podemos comprar os produtos da champagneria e levar pra casa.

Vaso de Oro
C/ Balboa, 6
Aberto todos os dias de 11am às 00h.
Fechado: de 1º ao 22 de setembro.

Após sanduba e cava, a próxima parada é com cerveja:  cerveja caseira e tapas de excelência, num lugar com mais de 50 anos de tradição. Da última vez que visitei, catalães saíam e me disseram para não ir embora sem provar a cerveja escura e o filé com fois. O pequeno vácuo entre o balcão e a porta, de um lado algumas mesas altas que são luxo de poucos nos horários mais visitados, de dentro garçons que tem orgulho do seu vaso, cerveja e dessa instituição situada na parte alta do bairro.

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Jai-Ca
C/ Ginebra, 13
Aberto de terça a sábado de 9 às 23h.
Domingo de 9 às 22:30h.

Desde 1955, o Jai-ca (que é uma junção de Jaime com Carmen, os donos) vive tão lotado que abriu um segundo bar, na esquina seguinte – o que não significa quase nada nas ruelas da Barceloneta.

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Lembro a primeira vez que fui, lá pra 2010, depois da praia e nunca esqueci aquelas tapas e a buena onda local que, ainda por cima, é barato.
Hoje em dia, aceitam reservas <3 e para grupos também.

La Bombeta
C/  Maquinista, 3
Aberto de 11 às 24h. Confirmar dias que fecham.

Talvez o maior de todos os botecos da rota indicada e, como o nome mesmo sugere, sua tapa-estrela é a famosa bombeta da Barceloneta, um croquete tamanho GG com massa de batata e recheio de carne, por cima um molho picante. Concorre com o boteco que descrevo abaixo, o La Cova Fumada, que alega ser ter inventado o salgado-delícia e os digo: provei os dois e tenho meu preferido, que tal provar também e vir me contar qual dos dois apetece mais? Na nossa turma de 6 pessoas foi quase empate.

Sendo o melhor ou não na Bombeta, não deixe de provar a infinidade de tapas que tem aí.

Seguimos rolando para...

La Cova Fumada
C/ Baluard, 56
Aberto de segunda a sexta, de 9 às 15h e de 18 às 20h
Sábados de 9 às 13:20h.

Lá se vão mais de 70 anos de história. Dona Palmira ali tomando conta da chapam dentro do lugar que não tem nem placa na entrada. As 15h fecham as portas, quem entrou, entrou e, quem não, tem que voltar de noite.

La Cova Fumada é uma antiga bodeguinha aberta em 1944. A famosa bomba, que já comentei e vocês não podem cansar de ler, é a tapa emblemática da casa e do bairro, sendo “inventada” pela avuelita Maria, em 1955. Este lugar é um dos bares mais concorridos da rota, não aceitam reserva, mas qualquer espera vale muito a pena. Enquanto esperamos uma mesa, tomamos uma cerveja na calçada, esperando ansiosamente que Josep Maria nos chame.