O que fazer em Capri?

Perfume pelas ruas, grutas (a azul, em especial), montanhas, barcos, ruelas charmosinhas num sobe e desce das falésias, salada caprese – eu amo – gastronomia italiana e o azul inesgotável do mar Tirreno.

DSC_0013.jpg

 36 horas em Capri: passeio de barco em torno da ilha com parada na Gruta Azul, praia particular e um jantar delicioso. Com prosseco, per favore!

Com toda a exuberância, como negar que Capri sempre foi o destino escolhido de diversas pessoas importantes na história? Até Pablo Neruda sucumbiu às belezas da ilha e viveu um dos seis meses mais felizes de sua vida.

Por mais que não tenha se tornado o meu destino preferido por motivos completamente pessoais, é fácil entender as razões que levam algumas pessoas a morrerem de amor. A ilha é um desborde de beleza.

Capri foi um ponto de ligação que usamos numa viagem à Itália entre Roma, Pompei, Nápoles e Costa Amalfitana. Uma viagem maravilhosa que fiz com meu irmão e que foi do jeito que a gente gosta: sem muito planejar. Por isso, acabamos chegando na Sicília de carro, haha, mas isso fica pra outro texto.

Com dez quilômetros quadrados, a ilha de Capri conta com dois municípios: Capri e Anacapri. Vale ressaltar que também existem dois portos, a Marina Grande e a Piccola. Por menor que seja, a ilhota chega a receber mais de 2 milhões de turistas por ano (alô, Brasil! Vamo agitar o turismo? – pra quem não sabe, o Brasil INTEIRO recebe apenas 6 milhões de turistas por ano. O país. Todo.)

Um pouco de história:

“Capri sempre exerceu um grande fascínio entre os nativos. A ilha terá sido descoberta pelos romanos em 29 a. C., quando Augusto, o primeiro imperador romano, voltava de uma campanha militar do Oriente e foi amor à primeira vista. Assim, partiu dele a ordem de edificar diversas villas, as típicas construções do Mediterrâneo, entre elas, a sua residência de verão.
O seu sucessor, Tibério, chegou a governar o império romano da Villa Imperial e ergueu 12 mansões em Capri. Da maior delas, a Villa Jovis, restaram apenas ruínas, que, ainda hoje, podem ser visitadas.”

A sofisticação continua presente até os dias de hoje e, como muitos sabem, a ilha é frequentada por muitas celebridades. Existe um cheiro delicioso pelas ruas e isto se deve ao fato da pequena abrigar, há mais de 600 anos, duas fábricas de perfumes que aproveitam as flores típicas da região, o limão e a laranja para a fabricação de suas essências. Além do perfume, é óbvio que vemos uma lotação de butiques de grifes nacionais e internacionais e muita gente chique \o. Sim, uma estadia ali não é barata, não.

Por sinal, a chiqueza toda não se vê somente em terra firme. O mar Tirreno fica lotado de iates, navios e barcos que podem até congestionar a Marina Grande. Eu e meu irmão, quando chegamos, pegamos um transporte até o hotel – um taxi abertinho, típico veículo da ilha. Chegamos de manhã e fomos embora no dia seguinte, pela noite – pela ilha, preferimos andar a pé, mas scooters, ônibus e taxis são recomendados também.

Vamos ao que interessa! O que fazer em 36 horas?

Chegamos relaxadíssimos, sem pressa nenhuma. De nada :) fomos ao hotel, deixamos as malas na recepção, já que era antes mesmo do almoço e fomos passear pelo centrinho. Tivemos bastante sorte e o quarto ficaria pronto em uma hora. "Sorte" porque era julho e a cidade estava lotada.

Foi ótimo porque, sinceramente, não sei se chegaríamos a andar pelas ruelas se não fossemos “obrigados” (que obrigação chata, haha!). Estava bem quente e só pensávamos em ficar perto do mar. Que charmosinho!

capri
IMG_2276.jpg

Depois do check in, consumamos o desejo: “Ha qualche spiaggia nelle vicinanze?” – Perguntei por uma praia por perto e chegamos a uma praia particular. Bom, vamos falar rapidinho sobre praias? Se você está em busca de praias, está no lugar errado. As praias de Capri são pequeninas e de pedras – muitas delas são particulares, ou seja, tem que pagar. Existem algumas praias públicas e beach clubs – em alguns lugares, o preço da “entrada” pode ser transformado em consumação e em outros, é o preço a pagar pela espreguiçadeira e guarda-sol (o preço médio varia de 20 a 25 euros por pessoa).

Como eu não fui atrás de praias e só conheci uma, sugiro a vocês visitarem o site de turismo da ilha: http://www.capri.com/pt/e/praias-em-capri - aqui existem todas as dicas para as praias gratuitas, meios de locomoção, tudo tudo. E está em português :)

Praia. Pedra. Livro. Prosseco.

A praia que fomos fazia parte de um restaurante na vizinhança do nosso hotel. Quando digo vizinhança, falo sobre a praia mais legal e mais próxima. Como disse, queríamos uma espreguiçadeira e mar.

Mais ainda, quando digo “perto” e num lugar com características montanhosas, só vos digo: preparei-vos para as escadarias! :P 

Caminho “longo” pra chegada, preço salgadinho pra entrar, mas maravilha de tarde. Repito: eu estava ali, escolhi Capri e reclamar de preço não faz parte da viagem. Falando honestamente: quem vai a Capri não pode pensar em preços baratos e é uma realidade. So let’s enjoy!

Querem saber como foi minha tarde?

capri

 

Noitinha

Depois de voltar da prainha, felizes e com sensação de dever cumprido – leitura, prosseco, mar e espreguiçadeira – resolvemos tomar banho pra jantar.

Que lindo <3 com a ajuda do concierge do hotel, nós já tínhamos feito uma reserva num restaurante bem conceituado, com vistas, qualité, mas sem frescura. 

Lá chegando, fomos tão bem servidos! Do início ao fim. O Michaelangelo, nosso garçom, me presenteou com um leque e fez nossa noite ser divida. Salada caprese – lógico – para mim e uma entredinha de pãos e patês pro Yuri. Pratos principais: PASTA! 

O restaurante ficava na Via Lo Palazzo 25/A, 80073,  http://www.ristorantepizzeriaverginiellocapri.it/

 

Passeio de barco em volta da ilha

Existem algumas maneiras de chegar até a famosa gruta azul. Sim, a gruta azul é a mais conhecida, mas existem tantas outras por aí.

Para chegar, podemos nos colocar em um barquinho a remo, alugar um barco privado, uma lancha, um iate. Tudo depende da maneira que queres aproveitar sua estadia.

Era meu último dia com meu irmão e, sinceramente, queríamos um momento mais privado. Ele mora no Brasil, eu na Europa desde 2006 – nossa ideia foi pagar um pouquinho mais e ter o nosso barquinho. Nada completamente luxuoso, mas de perfeito grado às nossas expectativas.

Eu poderia dizer que foi tudo maravilhoso e poderia ter sido... Mas eu tive ENJOO no meio do passeio, haha. Foi lindo, mas mareado, haha. Yuri, do outro lado, aprobeitu demais, inclusive a grita azul.

Sou uma lástima? Sim.  Mas é essa a vida sem todo o glamour das fotos de viagem, haha :D

A Gruta azul é uma cavidade natural com 60 metros de comprimento e 25 de largura, porém, a entrada só tem 1 de altura por 2 de largura. No início, vemos apenas uma escuridão... Depois da entrada, o ambiente vai tomando reflexos azuis de diversos tons, enquanto as paredes ecoam as pedras musicalmente napolitanas.

Dentro da gruta – e até fora dela, a cor da água é de um azul que dificulta a descrição. Parece que estamos no meio do céu, tudo é surreal e... Suave. Como eu sentia enjoo(haha), ele atravessou de uma parte da rocha até o mar, enquanto eu o observava de longe. Foi bonito de ver a mistura da cor da pele e cabelo com aquele azul transparente.

DSC_0047.jpg

Neste momento, eu entendi o motivo daquela ser a atração mais famosa de Capri.

Importante: Só podemos entrar nesta portinha de um metro por dois com canoas de madeira. Como é um atrativo muito importante, é capaz de existirem filas e que demore um pouquinho. O barqueiro pede pra gente se deitar pra que ninguém bata a cabeça – coisa que aconteceria comigo seguramente – e, no lugar da escuridão, começamos a admirar o azul brilhante. Prometo pra vocês, a impressão que dá é de que existe uma luz saindo do fundo do mar pra que aquela cor fique tão florescente.  

            No meio do passeio, conseguimos admirar os Faraglioni de Capri, que são os 3 picos de rochas que saem do mar a poucos metros da costa. Cada um tem um nome: Stella, Faraglione di Mezzo e Faraglione di Fuori ou Scopolo.

Como chegar

Obviamente, só é possível chegar a Capri via mar: balsas e barcos saem de Nápoles e Sorrento. Nós, como estávamos em Nápoles, pegamos um barco desde ali. No verão, também existem saídas de Positano, Amalfi, Salerno e Ísquia.

Durante uma boa parte do ano, inclusive nos meses mais aconselháveis de visita, não é possível levar o carro ou a moto: o desembarque de veículos para não residentes é permitido apenas no período do início de novembro até a páscoa. 

De qualquer maneira, o carro em Capri não é muito útil. Só existe uma única estrada e dá pra usar o transporte público perfeitamente.

O nascimento da primavera

Vocês conseguem perceber o quanto a rua está cheia de estímulos? Pode ser que seja a primavera, mas é só sair que o corpo se acende e vai sozinho, livre caminhando, um pouco selvagem, quase por instinto: persegue aromas, cores, sons e pessoas.

Existe uma piscada de olhos, um reflexo que gira discretamente. De um bar sai o aroma de cominho e coentro, do outro vem uma música de Lou Reed, uma árvore chove flores, de uma fonte a água derrama e respinga em uma garota – que se levanta com o vestido ao vento, as buzininhas das bicicletas harmonizam-se e tornam-se melodia. Mais ainda: há abundancia de gargalhadas e brindes a cada esquina.

É ela. A primavera que toma conta de mim.

Apresentando Veneza

Veneza é de mentira!

Veneza é de mentira! Foi o que pensei quando cheguei na cidade, ainda atravessando as pequenas ruas, a caminho do hotel. Mentira não pelo fato da cidade não poder existir e, sim, pela impressão que deixa desde o primeiro momento em ser cinematográfica.

Imagine em qual cidade do mundo as ruas e avenidas são substituídas por canais, gondolas, barcos e vaporetti? Tudo é feito de barco: desde a ambulância transportando doentes até bombeiros apagando fogo. E o melhor, com uma água verde-esmeralda vinda do mar Adriático que nem mesmo a poluição humana consegue arruinar.

As ruas são canais

As ruas são canais

Dividida em 118 ilhotas por mais ou menos 100 canais e 400 pontes, o Grande Canal é a “avenida” principal da cidade e onde há a maior circulação de veículos. Esses números podem assustar pela quantidade de ruas que se parecem, mas o segredo é ter um pouco de planejamento e chegar de coração aberto.

Detalhe na janela

Ficou curioso e quer saber mais? Corre lá no Territórios! O blog de viagens que eu colaboro: http://territorios.com.br/apresentando-veneza

 

 

Comer e beber em Veneza

Como em qualquer outra cidade do planeta, quando chegamos perto dos pontos turísticos, tudo fica mais caro. Existem cafés-restaurantes muito famosos na Piazza di San Marco e os preços são exorbitantes! Além de qualquer café, eles também cobram serviços a mais porcouvert – a música ao vivo que pode ser ouvida a qualquer hora do dia e da noite tocada por orquestras.

É necessário procurar bastante para não cair no conto dos restaurantes turísticos ruins, onde a comida não satisfaz: a fome, o desejo e a gastronomia de uma cidade. Com o intenso fluxo turístico, algumas pessoas podem acabar comendo mal, pagando caro e passando longe de degustar as reais delícias do lugar.

Pensando nisso, um pequeno grupo de donos de restaurantes (reais e genuínos ristorati), decidiu criar a Associazione dei Ristoranti della Buona Accoglienza, que conta com doze restaurantes e tem como objetivo principal divulgar os endereços dos quais a culinária faz parte da vida e cultura da cidade. Estes doze estabelecimentos são engajados em cumprir algumas “leis” que garantem um respeito grande com o cliente desde a qualidade da comida até os preços. Além do atendimento, todos estão perto de hotéis e pontos turísticos conhecidos, mas nenhum deles está à vista; o que deixa a atmosfera deles ainda mais veneziana: eles ficam em ruas, vielas ou becos desse labirinto garantindo a tranquilidade e o resgate da gastronomia. O site desta máfia da culinária é Venezia Ristoranti.

Quer continuar lendo? Vai lá no Territórios pra ler o resto do artigo.