O nascimento da primavera

Vocês conseguem perceber o quanto a rua está cheia de estímulos? Pode ser que seja a primavera, mas é só sair que o corpo se acende e vai sozinho, livre caminhando, um pouco selvagem, quase por instinto: persegue aromas, cores, sons e pessoas.

Existe uma piscada de olhos, um reflexo que gira discretamente. De um bar sai o aroma de cominho e coentro, do outro vem uma música de Lou Reed, uma árvore chove flores, de uma fonte a água derrama e respinga em uma garota – que se levanta com o vestido ao vento, as buzininhas das bicicletas harmonizam-se e tornam-se melodia. Mais ainda: há abundancia de gargalhadas e brindes a cada esquina.

É ela. A primavera que toma conta de mim.