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Quando ele termina, tudo é justificado.

Quando ele termina, tudo é justificado.

O contexto e imagem

Já faz uns dias que voltei a Barcelona, no meu quase pós-pré aniversário, postei algo nos stories do Instagram. Dos meus amigos que são/moram/estão/estavam no Rio de Janeiro durante a minha estadia e este tal momento, recebo:

Flanador[1](a) : SAUDADES!!!

Eu: por favor, me defina saudades!

Flanador(a) : (…) explicou sua definição 

Num olhar interno, cheio de umbiguismo e egocentrismo, penso e digo:

– Ah! Então está aí a razão que estivemos na mesma cidade e não parecço ser prioridade na tua vida… mimimimi mimimimi eu mimimii eu mimimim tu mimimi só acuso e penso: e eu? E tu?

Fulane: É CARNAVAL NO BRASIL (todos já sabemos que música é essa)

Em tempos sombrios, porém, concomitantes ao carnaval, a pergunta mais notória, inegável, é: será que ele tem fim?

Nenhum momento realmente termina se esta palavra, como substantivo, vira adjetivo:

– Tu és o meu carnaval!

Mas… e se o carnaval virar predicado? Como se o próprio fosse o termo essencial de qualquer oração? Como metáfora, define tudo o que se declara, informa, afirma sobre o sujeito, que ñe ele mesmo.

O carnaval também é verbo.

CARNAVALIZAR

É substantivo, adjetivo, predicado. Predicado prejudicado. Artigo singular e complemento do objeto direto.

O carnaval é a gramática antes de qualquer norma. É o que se expressa, se sente e nunca se corrige. Ele é, sobretudo, popular. 

O carnaval é o português do povo, sem regra.


[1] Flanador como se fosse o mesmo flâneur (do francês, “caminhante” ou “observador”) : é uma figura literária e artística do século XIX que passeia pelas ruas da cidade sem destino definido, observando a vida urbana com curiosidade e desapego. O típico carnavalesco.

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