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Atenas e a solidão escolhida

Texto resgatado de 2010. E eu estou adorando ler a Mayra do passado, aqui do futuro, 12 anos depois.

Como andar pela primeira vez em ruas de cidades desconhecidas, perder-se é encontrar-se. Ao mesmo tempo que te perdes pelo desconhecido, te encontras na tua melhor essência.

Viajar sozinha é isso pra mim, um vício. Além de partir para o desconhecido, como Sabina (A Insustentável Leveza do Ser) tinha tanto amor como eu, é uma busca incessante de ti mesma.

Andar em pleno outono e no meio de uma chuva tórrida por jardins nacionais em Atenas. Um deserto humano e um mundo de natureza. Ao mesmo tempo solidão escolhida, ainda bem, e a melhor companhia de todas. Tu mesma!

O delicioso encontro comigo mesma veio com toda a força num inverno rígido, cinza e chuvoso. E, depois de se trancar na toca de si mesma, veio a primavera que me ensinou a renascer como suas flores. Nunca ninguém disse que seria fácil, mas eu percebi o que valeria a pena.

Mas o necessário cultivo de tomar uma xícara de chá de si mesmo por dia faz bem à saúde e te faz enxergar um pouquinho mais do mundo que carregas dentro de ti.

Não te deixa esquecer, te reconheces em cada partezinha degustada.

Sair da rotina louca, da roda viva e deixar entrar no mais camuflado em ti. Seja em pensamentos ou até vozes, quando, sem querer, exteriorizas alguma ideia. Falas sozinho de tão acompanhado que te sentes contigo.